Ofício: “Fotógrafo Profissional de Viagens” – Entrevista com o fotógrafo viajante Marcelo Schellini

Conversamos com o fotógrafo Marcelo Schellini, que dará a palestra “Da Viagem à Narrativa Fotográfica” relatando sua experiência sobre os oito anos em que viajou pela Europa, Ásia e África, conversando sobre o olhar fotográfico do viajante e os desafios de trabalho e sobrevivência de quem decide partir para a aventura de uma viagem de longa duração.

Entre 1999 e 2011, Marcelo viveu e trabalhou em diversos países do mundo, ora como fotógrafo, ora como faz-tudo. Em suas andanças, cruzou fronteiras políticas, étnicas e religiosas, algumas em paz e outras em conflito. Inicialmente perseguindo a imagem romântica do fotógrafo-viajante, sua experiência pessoal diária em terras estrangeiras modificou e moldou sua fotografia e narrativa.

Locais onde o fotógrafo passou: América Latina, Península Ibérica, Reino Unido, Países Baixos, Itália, Albânia, Macedônia, Bulgária, Turquia, Kurdistan, Grécia, Sri Lanka, Índia, Marrocos, Mauritânia, Senegal e Arábia Saudita.

VM – Qual a sua idade? Sempre exerceu a profissão de fotógrafo?

Eu tenho 32 anos. Começei trabalhar com 14 anos. Já fui fotógrafo, pedreiro, garçom, office-boy, salva-vidas, professor, músico, entregador de gás de cozinha, capoeira, enfermeiro, operário rural, pintor de parede, ajudante de motorista e atirador de facas. Mentira! “Atirador de facas” eu inventei, agora o resto é verdade.

VM – Como era feita a eleição do destino? E o planejamento (cidades a serem visitadas, hospedagem, dinheiro, etc)?

No período que meditava viajar para fora do país, achei que precisava inicialmente de um plano que coincidisse também com a vontade de continuar estudando. Deste modo procurei pela internet uma pós-graduação e encontrei um curso interessante na Universidade de Barcelona.

Como para muitos latino americanos, o visto de estudante era a principal porta de ingresso da Europa. Hoje o brasileiro é visto um pouco diferente pelas alfândegas e controles de documento dos aeroportos mas dez anos atrás a coisa era diferente.

Mas nem por isso o fluxo de brasileiros que iam para Barcelona era pequeno e ainda hoje acho que é uma das cidades preferidas de nossos paisanos na Europa.

Uma vez quando estava ali, naquele primeiro ano, alguém me perguntou oque eu iria fazer em seguida. Respondi não saber bem. Então me disseram: “Por que você não pula de galho em galho?”

Achei a frase muito engraçada. No final daquele ano consegui encontrar uma vaga de um ano em uma escola de crianças excepcionais em uma comunidade camphill na Escócia. Desta maneira, viajei muito através de trabalhos sociais, como voluntário. Muitas vezes, esses projetos, podem prover estadia, comida, transporte ou mesmo remuneração. Fui para o Sri Lanka quando houve o último conflito armado entre o governo cingalês e a guerrilha dos tâmil tiger. Fui para Índia através do mesmo projeto.

Depois, como imigrante na Europa, passei por todos os guetos possíveis. Nessa convivência com outros imigrantes fiz muitos amigos e irmãos. O dia a dia com eles me abriu muitas portas. Depois eram eles que me guiavam em novos itinerários contatando seus conhecidos para me receberem no coração das famílias. Quando fui à África por exemplo, nos sete meses que estive por lá, dormi somente duas noites em albergue.

Nunca pude me permitir uma vida de turista. Muitas vezes aqui no Brasil alguns grupos sociais de pessoas desprezam os trabalhos manuais. Eles dizem não ir para a Europa para fazer subemprego. Muitos trabalhos são lições de vida e eles ensinam as pessoas o que quer dizer dignidade. Ser viajante é sair fora também dos territórios mentais. O mundo é vasto! Como eu disse já uma vez: Viajar é reinventar a si mesmo.

VM – Você tem alguma dica para fotógrafos amadores viajantes?

A minha dica, é que eles procurem se integrar com o lugar e principalmente com as pessoas de onde estão. Que eles busquem conhecer quem é o Outro. Que eles possam se entregar ao desconhecido. E que quando façam uma foto, não tentem mostrar um lugar por onde passaram, mas sim um lugar onde eles poderiam viver toda a vida.

A palestra “Da Viagem à Narrativa Fotográfica” acontecerá em São Paulo dia 21 de abril na Casa Ranzini ao custo de $R50,00 por pessoa.

Vagas limitadas a 25 pessoas.
Casa Ranzini – Rua Santa Luzia 31 Liberdade
01513-030
São Paulo SP

Para mais informações: http://www.printingday.com.br/workshops/da-viagem-a-narrativa-fotografica/

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