Roubo do passaporte (parte III) – Viva Chile!

O consulado do Brasil até então continuava como se nunca tivesse existido na minha vida. No consulado do Chile em contrapartida a atenção foi outra. Diria que foi importante pela atenção dada, sobretudo à meus pais. Enquanto pelo Brasil conversei com Dona Raimunda, típica funcionária acomodada do setor público que não ajuda e ainda atrapalha a vida das pessoas, pelo Chile tive atendimento direto pelo cônsul, que disse ser perfeitamente possível sair do Camboja com o passaporte, uma vez que sou cidadã chilena. E principalmente acolheu minha família, mostrando-se solicito e aberto para ajudar com qualquer coisa.

Tive um domingo difícil já que não queria estar em Pnom Pen, teria que esperar até o dia seguinte para saber o que aconteceria. De qualquer modo, fui ao aeroporto no domingo mesmo procurar os agentes de imigração e a mesma informação me foi dita, para procurar o departamento geral no dia seguinte a partir das 8 da manhã.

Fui sem animação para o museu da cidade, cogitei visitar o 21, lugar muito visitado por turistas, uma antiga prisão onde houve um massacre. Mas achei que as emoções já estavam muito fortes e decidi não ir.

No dia seguinte, às 8 da manhã estava no departamento de imigração e fui informada ser possível ter um carimbo no meu passaporte chileno, mas que isto levaria de 2 a 3 dias. Não parece muito, mas para mim foi uma eternidade, eu não queria estar ali, estava gastando aqueles que praticamente seriam os últimos dias da minha viagem e talvez não valesse mais a pena ir para Laos. Entrei em contato com Dona Raimunda algumas vezes, que prometeu me ligar, isto nunca aconteceu. Ela por sua vez me tratava como irresponsável pois eu não tinha acatado a sugestão de pagar pouco mais de 200 dólares para fazer um novo passaporte. Me disse ainda que como eu iria passar por Bangcoc antes de voltar ao Brasil tinha que fazer um novo passaporte pois poderia ter sérios problemas com a polícia federal. Segundo Raimunda, saindo do Brasil como brasileira, teria que entrar da mesma forma.

Pensando na situação agora, vejo que podia ter feito muitas coisas diferentes. Mas no calor do momento, no meio de um monte de informações incertas, em um lugar pouco acolhedor, cansada física e emocionalmente, foi o melhor que pude fazer. Nestes momentos quem pode ajudar informando, confortando ou pelo menos dando direções corretas é o consulado do país, do meu não tive nada. Muito pelo contrário. Dona Raimunda me deu informações incorretas. A polícia federal do Brasil direciona que o problema seja resolvido junto ao consulado mais próximo, o que inevitavelmente me levava a D. Raimunda. Pesquisei e descobri que não precisava fazer um novo passaporte, podia entrar no Brasil com um documento gratuito, emitido pelo consulado. Na verdade, isto também era desnecessário… só descobri aqui, pela polícia federal. Como eu portava documentos brasileiros com foto, não precisava de passaporte ou outro documento emitido pelo consulado. Mas, D. Raimunda pelo visto também não sabia disso, e achou mais interessante, ao invés de descobrir me amedrontar e pressionar.

Fiz o tal documento desnecessário, tive que conhecer D. Raimunda e ainda ser educada. Confesso que estava muito curiosa para ver como era fisicamente. Aqueles adjetivos todos que povoaram minha cabeça durante aqueles dias teriam então uma imagem para serem associados.

A parte mais trágica e cômica, e para mim o cúmulo do descaso foi a pergunta muito displicente feita por D. Raimunda quando nos conhecemos. Vale lembrar que eu já havia verbalizado e escrito por e-mail esta resposta.

– Como você entrou na Tailândia?

– Eu tenho passaporte chileno, entrei com ele.

– Haa, não sabia que era possível.

– É possível, meu problema foi sair do Camboja, o carimbo estava no passaporte brasileiro, por isso entrei em contato com a senhora..

Por conseqüência da minha formação acredito, inevitavelmente pensei em retardo, déficit de atenção, ou problema na memória de curto e médio prazo.  Descobri que D. Raimunda mora há 17 anos na Tailândia e é fluente em thai, língua extremamente difícil. Ganhou minha admiração por isso. Mas acho que talvez foi muito input para ela, não sobrando espaço para mais nada…

Por fim, resolvi não ir para Laos, fui para Chang Mai, lugar calmo, seguro e bonito no norte da Tailândia. Mas com a certeza de uma próxima viagem para os 2 dos mais interessantes países da Ásia, Laos e com certeza Vietnam!

Viva Chile!

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