Roubo do passaporte (parte II)- Em busca da liberdade

No dia seguinte descobri que não existe consulado do Brasil ou Chile no Camboja. O mais próximo fica em Bangcoc. Liguei para o consulado do Brasil em Bangcoc, para informar o ocorrido e pedir orientações.

Ai começou toda a seqüência de dificuldades. Fui atendida por uma pessoa chamada Raimunda, que logo de cara mostrou-se confusa, desinformada e despreparada para trabalhar em um consulado. Dona Raimunda me ouviu e logo começou uma conversa com uma terceira pessoa perguntando tudo que eu havia perguntado. Obviamente ela não sabia como proceder naquela situação. Fui informada do procedimento para retirar um novo passaporte via Brasil, teria que mandar uma série de documentos, pagar uma taxa que ela mesma não soube me informar de quanto seria pois eu teria que fazer o cálculo de conversão para dólar e depositar, etc etc etc…Falei sobre a minha segunda nacionalidade, pensando receber de Dona Raimunda, quem sabe uma nova orientação que facilitasse o meu caso. Eu só precisava de um carimbo! Pura ilusão, ela disse que sobre outras nacionalidades não sabia nada…

Pedi informação no albergue sobre onde dar queixa, então aluguei uma bicicleta e fui à polícia do turista. Lá foi ainda mais confuso. O Camboja ainda se recupera de uma guerra, o índice de corrupção é muito alto, a comunicação entre os setores (imigração, polícia do turista, secretaria do turismo) não existe, ocorrendo aquela velha prática do jogar o problema para o outro setor.

Registrei a queixa, foi feita uma reconstituição do furto (não sei pra que!), mas não sabia o que aconteceria daí pra frente. A policia do turista não tinha protocolo para este tipo de situação. Eu apenas tinha um documento de queixa, que não sabia se de fato me ajudaria. Pela tarde fui ao aeroporto conversar com os agentes de imigração. Falei como uma pessoa de terno e gravata, que saiu de dentro de uma área restrita identificando-se como responsável pelo setor, e esta foi a única pessoa que me assegurou ser possível deixar o país com a queixa e o meu outro passaporte. Anotei o nome e o telefone, e segui para a secretaria do turismo só para ter certeza.

Lá mais confusão, ninguém sabia o que fazer, para onde me mandar, e depois de algumas ligações eles reiteraram ser possível sair do país com meu passaporte chileno e a queixa.

Depois disso decidimos o próximo destino, que seria Laos, país que eu mais desejava conhecer. Compramos a passagem e eu parei de sofrer e fui ser feliz torcendo muito para que aquelas pessoas estivessem certas. Disse para minha família que a situação estava sob controle. Até porque eles não mereciam se preocupar e nada podiam fazer. Confesso que assumi um grande risco, mas no meio da situação não havia muito a fazer, e a única maneira de descobrir era tentando.

No dia da viagem não pude embarcar. A pessoa que conversei no aeroporto do departamento de imigração que assegurou ser possível deixar o país era desconhecida pelos oficiais, ninguém conhecia ninguém com aquele nome! Conversei, fui educada, mostrei uma série de documentos, informei o número do meu visto, a fronteira pela qual tinha entrado, a cópia do meu passaporte roubado, tudo. Por fim chorei, geralmente funciona, e nada! Minhas amigas embarcaram e eu fiquei para resolver o meu pepino.

Por fim, finalmente tive a resposta que procurei desde o primeiro dia e ninguém soube informar. Onde poderia ter o meu visto chileno carimbado.

Isto aconteceu em Siem Riap, mas descobri que para solucionar teria que ir para o departamento geral de imigração, na capital do Camboja. Porque uma informação tão simples não me foi dita?

Naquele dia, resgatei parte do dinheiro da passagem que perdi, comprei uma passagem de ônibus para a capital e passei o dia tentando me convencer de que estava tudo bem e esperando a hora de embarcar. Era um sábado, inevitavelmente teria que esperar até segunda para ir ao departamento geral de imigração. Resolvi ir à capital o quanto antes.

Para completar, foi o pior ônibus que peguei durante a viagem! Barulhento, fedido, desconfortável e ainda tinham uns bêbados (não, ainda bem que não eram Irlandeses!) no banco de trás, querendo muito interagir. (…)

Continua no domingo.

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