Roubo do passaporte (parte I)

Aprendi nesta vida, depois de muitas desilusões que, não há tempo sempre bom. Mais hora menos hora as coisas podem ficar complicadas. Para meu consolo, a mesma regra que vale para esta tão sonhada felicidade/facilidade constante, vale para a dificuldade.

Viajar me mostrou que posso suportar momentos mais adversos do que eu acreditava. A experiência de estar sozinha em alguns momentos não me amedrontou, foi até uma opção em alguns momentos. O cansaço extremo depois de noites mal dormidas, geralmente nas partes de mudança de cidade, ilha ou país, ou a inesquecível noite fria alá mendigo no gelado aeroporto de Bangcoc, foram escolhas também. A privação alimentar enfrentada no Nepal por razões sanitárias foram encaradas com muito bom humor!

Mas a parte chata da história é quando a escolha passa para um segundo plano e se é obrigada a, sem perspectiva de futuro, saber o que acontecerá. Tive uma experiência muito desagradável no fim da viagem. É importante ressaltar isso porque no fim, a energia e disposição não são as mesmas. A parte boa é que pelo menos no fim a tolerância a frustração e paciência estão desenvolvidissímos. Especialmente depois de olhar tantas e tantas vezes nos olhos de Buddha e pensar diante de situações desagradáveis: “observe e não reaja”. Essa máxima eu aprendi para a vida, mas continuo batendo a cabeça pois trata-se de uma missão difícil…

Fato é, no Camboja existe uma modalidade de assalto que é o seguinte. O motoqueiro passa, arranca ou corta a bolsa do pedestre, leva e é isso. Em uma noite que até então terminava muito bem, na frente do meu albergue, parei por alguns minutos de costa para rua e eis que me tornei mais uma vítima. A minha sorte é que a carteira com os cartões (grandes companheiros!) caíram no chão, mas meu passaporte, câmara e iphone estavam lá. A primeira pergunta é: por que sai na noite com todas estas coisas? Ou ainda, sendo uma brasileira, baiana freqüentadora de favelas via projetos sociais e outrora terapeuta de menores infratores dependentes do crack, por que andei tão displicente às 2 da manhã em um país como o Camboja, marcado por um recente guerra e com uma pobreza visível nas ruas? Amadorismo!

Anyway, naquela noite fiquei muito feliz por ainda estar com minha carteira, e decidi relaxar, dormir já que ainda tinha meu segundo passaporte do Chile. Mas as coisas não foram tão fáceis como imaginei….

Continua….

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