A Ásia e os seus personagens

Ainda bem que hoje as pessoas têm um pouco mais a possibilidade e abertura para expressar opinião, sexo de preferência, maneira de se vestir, profissão, etc. Na fase em que vivi em Sydney, pude participar de uma cultura ainda mais madura em relação a estas coisas. Para começo de conversa, morei simplesmente no bairro mais gay da cidade, por tabela freqüentava a acadêmia mais gay, e costumava ir aos cafés de proprietários gays. A escolha do bairro foi pela conveniência da localização, perto dos meus trabalhos e escola, e por ser lindo, estilo meio europeu com brechós e lojas interessantes. Os benefícios eram muitos. Nunca treinei em uma acadêmia onde me senti-se mais a vontade, porque os rapazes olhavam para os rapazes, e as moças que gostavam de moças, geralmente iam com suas respectivas, ou senão mantinham-se respeitosas.

O VastoMundo é simpatizante dos gays, lésbicas, transformistas, artistas, enfim. Caso contrário não poderíamos usar este nome, pois não isto não seria nem Vasto e nem Mundo.

Inicio este post com estas divagações para apresentar uma figura mais do que inusitada que tivemos a oportunidade de conhecer na Indonésia, especificamente Gili Trawangan, em Gili islands.  Por indicação de um amigo, conhecedor da Indonésia, chegamos nesta ilha com acomodação certa, arrumada por um Balinês chamado Rony.

Rony por telefone já demonstrava ser uma pessoa muito simpática e quebrou um grande galho reservando um quarto para 3, na época mais procurada (29,30 e 31 de dezembro) e a um preço de amigo.

Já esperávamos encontrar Rony ao desembarcar do fast boat. Mas a grande surpresa foi conhecer Safira, que nos esperava também. Safira tem 22 anos, mora na ilha, é extremamente vaidoso, falante, animado, e talvez a pessoa com a maior auto-estima que conheci. Tony nos apresentou Safira e disse que ele trabalhava no guest house e cuidaria de nós. A simpatia foi imediata, a partir de frases do tipo: “eu sei que sou bonito, por isso não me relaciono com as pessoas daqui, só gosto de estrangeiros, mas os rapazes daqui me adoram”, ou relativas ao seu aniversário que seria dia 31 de dezembro:“vamos celebrar juntos, vocês acham que eu devo usar olhos verdes ou castanhos? Vocês gostam de vodka?”.

O mais impressionante é que aquela ilha é de origem muçulmana, e alguns dos valores desta cultura ficam bem evidentes. Mas Safira era muito respeitado em todos os ambientes que estivemos juntos. Ele ainda revelou ser famoso na ilha. Certa noite fomos jantar, e pude comprovar isso. Eu nunca foi tão bem recepcionada na ilha, além de ouvir histórias engraçadissímas sobre a vida dele noite adentro.

Além da boa companhia Safira nos salvou de pagar mais caro por muitas coisas, como passeios de barco, bebidas, etc.

Adoro essas pessoas que se amam mesmo, sem cerimônia. Acho raro e valorizo muito quando tenho a chance de conhecer uma delas.

Safira

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