Divagações pós-trilha de dois dias em Chiang Mai

Esse post eu escrevi no calor pós-trilha em Chiang Mai, mas na época achei que ficou um pouco duro, não tinha um distanciamento racional expositivo neutralizante e acabei deixando ele descansar um pouco. Três meses depois, li de novo e acho que está mais engraçado do que amargurado, então vou postar as it is, or was (tá sem acentos porque na época era um teclado tailandês, sorry).

Fonte: http://www.pagef30.com/2009/07/atypical-pictures-of-iran.html

tá no lugar errado, babe

Cena 1:  Lugar errado, o conceito

Cenário: Restaurante de pub irlandês em Sydney  que oferece refeições com bebida a 10 dólares (o que quer dizer beem barato)
Publico-alvo do estabelecimento: irlandeses jovens que bebem cerca de 6 canecas de meio litro de cerveja ou cidra por noite, sem contar os shots de redbull com jagermeister e tem uma tendencia a confrontar a equipe que trabalha na casa e os seres humanos em geral, principalmente quando estao embriagados
Entram 2 casais no “bistrot” do pub, com cerca de 45 anos, bem vestidos e com uma atitude digamos, um pouco, esnobe. Apos esperar na mesa pelo menu ou que algum garcom se aproxime, um deles se dirige ao balcao e descobre que o pedido é feito no balcao.  Apos analisar o menu a primeira pergunta é: De que ano é o seu sauvignon blanc?

tcha-nam!

A-ha! Nao precisa ser um sociologo ou ter experiencia em analise social para ver que essas pessoas estao no lugar errado! Na minha breve vida de garconete eu vi essa situacao acontecer algumas vezes e o resultado é que ninguem fica feliz. Os clientes ficam infelizes porque a qualidade dos produtos e o nivel de servico esta bem abaixo do que eles estao acostumados (o bife vem torrado, a batatinha tem gosto de velha, o vinho é do mes passado, etc ou ah, eu tenho q pegar o molho de tomate ali?!?), o pessoal da cozinha fica infeliz pq os clientes pedem milhoes de personalizacoes  “exdruxulas” nos pedidos (posso ter parmesao em vez de queijo mussarela? posso ter apenas brocolis no mix de vegetais?)  – e veja bem, nesse “bistrot” os clientes ja estao acostumados a contar com a sorte e o bom humor do chef e a coitada da garconete fica infeliz de ter q ficar no meio de campo desse show de infelicidade tentando amenizar o que nao tem conserto.

Cena 2: A trilha

Acordamos depois de uma noite dormindo na tribo ocidentalizada tailandesa da montanha . No dia anterior, tivemos que andar por cerca de 3 horas por uma trilha 98% subida, com passagens por um trigal onde a trilha era uma picada de 20 cm de largura ou por “degrais” escavados pelo uso em meio a cocô de elefante e o auge do dia foi uma microcachoeira no meio do caminho.

graminha neblina montanha árvore

Chegando na tribo, já a beira do colapso muscular emocional, presenciamos uma crianca perseguindo e matando uma galinha a pauladas. Dormimos em colchoes de 5 cm de espessura, tomamos banho em uma cabana enlameada e a descarga do banheiro era de baldinho.

a tribo

o banheiro

rola uma fogueira depois do jantar, com venda de cerveja

Mas tudo bem, pq esse dia ia ser bem melhor, agora era soh descida e ia ter uma cachoeira de verdade! Mas depois de 15 min de caminhada ja deu pra perceber que descer a montanha de havaianas (sim, fiz a trilha de havaianas) é bem pior do que subir, pq os degrais semi escavados sao escorregadios e vc acaba ralando o pe e chutando raiz de arvore por todas as vezes que vc nao se machucou no dia anterior e os musculos da perna ja estao tremendo quando vc para de andar e a paisagem nao tem nada demais – montanha arvore neblina (era bonito, mas nada demais, se a gente tivesse andado meio hora seria bonito, depois de rastejar por 3 horas era só vim-até-aqui-pra-isso?).

quero ver descer sem o músculo da coxa, aspira!

Ah, sim, e no dia anterior  eu atrasei o grupo o percurso inteiro e nesse dia, visto que os musculos da minha perna nao funcionam e eu estava me locomovendo gracas a bengala de bambu que o guia me deu como um senhor de 80 anos, eu estava atrasando o grupo 3x mais. Muita infelicidade e dor da minha parte, infelicidade para os meus companheiros de trilha que tem q me esperar e conviver com o meu mau humor e reclamacoes minando a alegria de trilhar deles e infelicidade para o guia q tem q gerenciar dois grupos separados, o de rapidinhos-trilheiros e o de vovos-andam-devagar-fingindo-que-esta-tudo-bem-mas-que-sabem-que-estao-no-lugar-errado.

Ok, admito que o dia 2 teve uma reviravolta, rolaram um rafting e balsa de bambu bem legais e um passeio de elefante, que foi ate legal, tirando a baba marrom do elefante espirrando pra todo lado e o medo do elefante pisar em falso e a gente rolar ladeira abaixo.

elefantes e trilhas, acredite se quiser, eles mandam bem nas partes íngremes

Ah, em algum momento teve uma cachoeira grande que era pra ter sido legal se nao fosse no auge da fadiga muscular e desânimo com o custo de resposta desproporcional, altissimo custo, resposta baixa.

a cachoeira

Fica ai o meu relato e a conclusao do turbilhao de pensamentos que rolou durante a trilha pra tentar abstrair da dor e desgosto para quem nunca fez trilha e esta pensando em fazer um trilha de dois dias em Chiang Mai.

Conclusão

A trilha de dois dias custou uns 60 dólares (pq incluimos o tour a tribo das mulheres-girafa no começo)

O dia 1 foi beeeeem desnecessario, a trilha é bem dificil, a paisagem nao é bonita (é do tipo, ok ,graminha, não do tipo: uau, montanha!), a tribo das montanhas é bem ocidentalizada e pobre e as instalacoes nao sao o cumulo do conforto.
Existe outra opcao de fazer uma trilha de 1 dia que passa só pela parte bonita (graminha + mata serelepe decorativa) e termina na cachoeira grande, onde vc vai chegar sem o cansaco fisico e emocional e ainda pode fazer o rafting, andar de elefante e canoa de bambu antes de chegar lah – essa eu faria de novo.

floresta encantada ou inferno verde? tudo uma questão de ponto de vista

Nao recomendo fazer trilha de chinelo. Tem gente que prefere, mas fazer a primeira vez de chinelo é dar tiro no pe, pq vc vai ter q ficar prestando atencao pra nao pisar na formiga e topar com as pedras e nao pode admirar os arredores.

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3 thoughts on “Divagações pós-trilha de dois dias em Chiang Mai

  1. ADOREI o post e a trilha!
    O 1 dia de fato foi cansativo, mas senti uma felicidade sem tamanho no segundo e ainda fiz amizade com um cachorro do mato que me guiou até os elefantes! Demaissssssss
    trilha é de havainas!

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    1. Não é piada interna não, eu acho dificil explicar esse tipo de caminho, que vi aqui e em Koh Tao quando a gente tava andando de moto, na verdade, por isso pus “degrau” entre aspas. Seria um caminho de chão batido meio pedregoso, mas a chuva, os elefantes e as pessoas passando por ali acabaram criando espécies de degraus (degrais?) irregulares

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