Cristo Redentor no Rio

Desde 1822, o príncipe D. Pedro escalara o Corcovado deixando seu monograma numa árvore. Muitos outros o fizeram depois, até que em 1882, os engenheiros Pereira Passos e  Teixeira Soares conseguiram a concessão para construir um ramal ferroviário do Cosme Velho ao alto do Corcovado. Inaugurada em outubro de 1884, logo tornou-se a grande atração da cidade, sendo a primeira ferrovia turística das Américas. Com uma extensão de 3.775 metros, uma locomotiva a vapor conduzia até dois vagões ao topo. No meio do caminho, nas Paineiras, foi construído um hotel turístico.

Em 1918, sugeriu-se a construção de uma imagem `a Cristo para as comemorações do Centenário da Independência do Brasil, que seria levantada no morro de Santo Antônio. A idéia foi comprada pelo Governo, só que optou-se pelo Corcovado. Somente em 1920, o então presidente da República Epitácio Pessoa comprometeu-se a colaborar com a obra melhorando os acessos e fornecendo uma série de subsídios. Foi então realizado um concurso público de projetos, vencido pelo arquiteto brasileiro Heitor da Costa Silva.

O projeto vencedor, de um Cristo carregando a cruz, era bastante calcado no Cristo de Mendonza na Argentina. Motivos financeiros retardaram a iniciativa por alguns anos. Em 1922, o Governo instalou uma enorme antena de radio, a primeira do país, em forma de cruz no alto do Corcovado. Silva Costa ao observar a dita cruz, pensou em alterar seu projeto dando ao próprio Cristo uma forma cruciforme, bem mais legível `a distancia que o projeto original.

A idéia original era uma estátua fundida em bronze, no que foram logo dissuadidos, temerosos que acontecesse no Brasil o mesmo que ocorrera na Rússia, quando o governo soviético após a Revolução Bolchevique mandou fundir todas as estátuas metálicas de santos para reaproveitar os metais. Decidiu-se então que a estátua com 30 metros de altura, seria feita em concreto armado.

Em 1923, os planos foram levados `a Europa, onde na França, foram calculados pelo escritório de engenharia de Victor Caquot, famoso engenheiro especializado em estruturas de grande porte. Aproveitou-se a ida de Silva Costa `a França para que o mesmo escolhesse e contratasse um grande escultor para confeccionar as mãos e o rosto da imagem. A escolha recaiu no artista francês Paul Landowski  que utilizou como modelo as formas da artista plástica brasileira Margarida Lopes de Almeida.

O dinheiro para toda a obra foi obtido integralmente no Brasil através de doações voluntárias coletadas em todo o território nacional, em enorme campanha promovida pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Cada brasileiro podia contribuir com mil réis, quantia propositalmente baixa para que todos, ricos e pobres, pudessem participar dessa obra. A campanha denominou-se “Semana do Cristo” mas a coleta durou dez anos.

A idéia de revestir a estátua com mosaico foi de Heitor da Silva Costa, baseado em um chafariz da Avenue des Champs Elisées em Paris, alterando apenas o revestimento de cerâmica para pedra sabão verde.

A Revolução de 1930 atrasou a inauguração da obra, finalmente ocorrida com grandes festas em 12 de outubro de 1931, dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.

Curiosidades sobre a estátua: possui 30m e 3cm de altura, a cabeça está inclinada 33cm para frente e sua coroa servia até a década de 80 como pára-raios.

Fonte: Milton de Mendonça Teixeira para o jornal “Folha Cultural” – edição 99 Nov/2009

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